Ainda hoje, para muitos profissionais, negociar salário é considerado um tabu. Seja por receio de parecer ganancioso ou por medo de perder uma oportunidade, muitas pessoas aceitam a primeira proposta que surge. Mas a negociação, de acordo com Ana Paula Prado, CEO do Infojobs, maior HR Tech do Brasil, não só é possível como importante. “É uma oportunidade de adequar a proposta ao que vale o seu trabalho”, diz Ana Paula.
A executiva, que está sempre em contato com empresas variadas, mercado de RH e recrutadores, compartilhou 7 dicas práticas para negociar salário sem perder uma oportunidade:

1. Conheça o seu valor no mercado
Antes mesmo de entrar em uma conversa sobre salário, Ana Paula aconselha: “Pesquise em sites, como o próprio Infojobs, o que as empresas estão oferecendo para profissionais do mesmo nível, converse com pessoas da sua área e tenha clara quais são suas habilidades técnicas e comportamentais que agregam para a área. Nos sites você pode buscar vagas no seu nível com salários abertos e também avaliações de empresas, mas se atente ao porte e setores, é normal que mude o salário de acordo com os mesmos”.
2. Espere o momento certo para falar sobre remuneração
Sem dúvida, falar sobre salário no início das conversas com a empresa pode soar prematuro. “No primeiro momento você deve entender se as suas competências correspondem à vaga, e se de forma geral, ela te parece atrativa. Se conecte com a empresa primeiro”, aconselha Ana Paula. Quando o recrutador traz o assunto à tona, porém, já é a hora, ou quando o recrutador dá um espaço para perguntas.
3. Determine o seu salário mínimo ideal
“Tenha em mente qual é o valor mínimo aceitável para você. Pondere sobre valor da média salarial para o cargo junto às suas experiências e resultados. A partir desse mínimo defina os processos que você realmente fará parte. Deixe clara a sua pretensão e o quanto ela é negociável.”, diz Ana Prado. Isso evita a sensação de aceitar uma proposta sob pressão, que pode impactar sua carreira a longo prazo.
4.Priorize o pacote completo, e não apenas o número
Muitas vezes, o salário fixo é apenas parte da equação, na opinião de Ana Paula: “A remuneração não é apenas o salário fixo, coloque na ponta do lápis o “total cash”, ou seja, o total que receberá. Além disso, compare benefícios que sejam importantes para você, como home office, plano de saúde, bônus de resultados, flexibilidade de jornada e cultura organizacional. Todos esses fatores afetam diretamente sua satisfação com a oportunidade e podem compensar quando o salário não for o que você idealizou”.
5. Mostre confiança ao dizer a sua expectativa
Na hora de responder à pergunta “quanto você espera ganhar?”, “Diga o valor com segurança, para não soar como se estivesse muito além do compatível com o seu perfil profissional”, sugere a CEO. “Se preferir, use uma média de negociação: minha expectativa é entre R$7000,00 e R$8000,00, levando em consideração o escopo da vaga e a minha experiência”.
6. Negocie com empatia e expertise
Prado salienta que debater o salário não é uma competição. “O caminho do ‘ou isso ou nada’ não é o mais adequado. É melhor dizer ‘acredito que essa faixa salarial esteja ajustada com a vaga e meu perfil, mas estou à disposição para alinharmos juntos. ”, exemplifica. Muitas vezes é a maneira com que transmitimos a mensagem que faz toda a diferença.
7. Aprenda a recusar — e a aceitar — uma proposta
Se a proposta final não chegar ao valor mínimo que você definiu e não houver condições de negociação ao menos para sua expectativa mínima, não há problema em recusá-la. “É muito melhor negar a proposta do que aceitar e sair para outra oportunidade no curto prazo. Dessa forma, a empresa pode pensar em consultá-lo novamente em outro momento mais adequado, até para outra oportunidade.”, destaca Ana Paula.
É importante apenas ter certeza de que se, embora a oferta seja menor do que a desejada, a empresa não está disposta a negociar em outras frentes. “Ao término do dia, uma negociação eficaz é aquela que traz benefícios interessantes para ambas as partes”, pontua Ana Paula.